DE CARRO POR AÍ

 

  DE CHINA, PARA BRASIL
por Roberto Nasser - 24/04/2014

Fato inimaginável há alguns anos, o mercado brasileiro de automóveis ser plotado pelos moradores da China. Mas é a verdade de seguir o também surpreendente maior mercado de automóveis no mundo. Assim, o Salão de Pequim – Beijing Auto Show - abril 20 a 29, exibiu, pelo menos, cinco (!) novidades a aparecer também em produção ou importados em avenças comerciais com o Brasil.
VW Santana
Bom nome, produto de boa imagem aqui, mas o citado apenas aproveita o nome do produto bem conhecido no Brasil. No caso, é o seguir o conceito original do Renault Logan da VW, versão a mercados em início de intimidades com o ser automóvel, carro espaçoso sobre plataforma antiga. Muito adequado ao Brasil, agora em segunda versão, será construído sobre o VW Polo. Salão do Automóvel, outubro.
GM Cruze 2
Segunda geração deste coreano criado pela Daewoo, bem vendido, com projeto revisado pela Divisão Chevrolet nos EUA, aplicando sua tecnologia. Daí o nome: Projeto Phoenix, pois desenvolvido nesta mancha fértil em meio ao deserto do Arizona. Reforços estruturais para resistir a países ásperos como os do bom mercado latino americano, e atualização de motores reduzidos em volume e peso: 1,5 litro, quatro cilindros, 16 válvulas, 114 cv – pela potência não deve dispor de comandos variáveis para as válvulas ou injeção direta. Idem, com turbo compressor e 150 cv. Bom sítio argentino Autoblog diz, motor de três cilindros – eflúvios do fugaz acordo com a PSA Peugeot-Citroën, nota do Editor – com turbo também o equipará. É razoável. Caminho é reduzir área cúbica externa e deslocamento interno dos motores. Transmissões com dupla embreagem. Indefinido local de produção, se Argentina ou Brasil. Salão do Automóvel, outubro.

Cruze 2, adaptado aos mercados com vias ásperas
Novo Vento, o anti Mercedes CLA – Linhas definitivas a partir da proposta do designer brasileiro Marco Pavone, a VW deu vida ao conceito NMC – New Midclass Coupé. Ainda sem nome, embora o digam Vento CC. Usa plataforma MQB, queridinha do grupo VW, polivalente e poli marcas, hoje base de novo Golf e Audi A3. Motor dos VW deste porte e Tiguan, quatro cilindros, 2,0, 16 válvulas, injeção direta, turbo, 220 cv, transmissão DSG – de duas embreagens – e sete velocidades.
Será feito no México. Não é para ser mais um, porém mira precisa, ter mais porte que o Mercedes CLA, pequeno sedã recordista em surpresa e preferência.

Conceito NMC, base do Golf, concorrente do Mercedes CLA
Peugeot 408 – Segunda geração do modelo argentino e aqui disponível. Pequeno aumento na medida entre eixos e perfil mais aerodinâmico, elegante queda do teto, e distribuição de volumes visando esportividade – grande capô, habitáculo recuado, porta malas curto -, dão-lhe sensação de ser maior e bem disposto em performance. O leão, símbolo da marca, desceu para a grade em estilo, digamos, amercedado.
Na China, motor 1.6 com turbo de alta pressão. Multi uso, vai de 163 cv, como anunciado, a 270 cv de potência, dependendo da aplicação do produto, da vontade do diretor comercial, o conhecido Fator T.R. (na prática, T grande por roda). Conceito Peugeot Exalt, usa o engenho com potência maior.
Previsão de ser mostrado no Salão do Automóvel, com produção argentina.
Peugeot 408, 2ª. edição
Citroën C-RX – Novidade para instigar especulações é o conceito Citroën C-RX, dito como desenvolvido pelos chineses da Dongfeng, sócia da marca. Sobre plataforma do C3, fabricada em Porto Real, RJ, base do Peugeot 2008, lançamento pós Copa – a mesmo perfil e público. Peugeot e Citroën são a PSA.
Possível, é. Mas será provável ? Carlos Tavares, novo comandante, em projeto de salvação, disse cortar modelos assemelhados entre as marcas. Possibilidade há, se o C-RX for apresentado no Mercosul como o primeiro produto da DS, marca Premium anunciada pela PSA.

Roda-a-Roda

De novo – A informação sempre existiu como especulação contida: o utilitário esportivo Cayenne Porsche era o veículo de produção com maior lucratividade no mundo - incríveis US$ 25 mil/unidade. Porschistas o chamam Filho de Satã, pela distância e morfologia em relação aos esportivos da marca. Mas vende e dá lucros
Fonte – Agora a agência Bloomberg Businessweek diz ser a Porsche fabricante mais rentável do mundo: ganha médios US$ 23 mil/venda, margem de 18%.
Mais - Lamborghini seria muito rentável se vista individualmente, mas é somada como Audi, a quem pertence. Na média ambas lucram US$ 5.200/veículo. Volkswagens, US$ 850, 2,9% de lucro líquido.
Razões – Diz a publicação, simples entender. Desde a crise de 2009, quem muito podia, continua podendo muito. Outros, consumidores dos veículos baratos, foram afetados e ora andam em lenta recuperação. Ou seja, mercado dos carros caros vai bem. Mais baratos, brigam entre si e crescem pouco ou nada.
Mais – Trimestre com recordes de venda, a Audi dá gás no entusiasmo sobre seu produto igualmente entusiasmante, o A3 Sedan. Importou outra versão, com motor e preços menores.
O que? - Em lugar do motor 1.8, agora 1.4 TFSI – o mesmo sistema significando turbo com injeção direta de combustível -, 122 cv, cerca de 20 quilos de torque iniciados a 1.400 rpm; câmbio com duas embreagens e sete velocidades, performance e economia. Duas versões: Básica R$ 94.800, e Attraction R$ 99.900.
Por pensar – Carro bem equipado, melhor desenvolvido mecanicamente, feito na Alemanha, passa por enorme logística de transporte, paga 35% de imposto de importação, e os demais sobre ele incidentes, e concorrerá com a versão Altis, do Toyota Corolla, feito em São Paulo. No Brasil aritmética é ciência excitante.
Sucessor – Mark Fields, executivo navegando com êxito na crise da Ford, deve ser indicado sucessor de Alan Mulally, o atual CEO em busca de aposentadoria. Fields é o operacional abaixo do mandão.
Caminhos – Faz parte da paz com acionistas e mercado antecipar anúncios de sucessão. A Ford quer faze-la plana e manter Mulally por perto, com lugar em seu Conselho. Mas a Microsoft já o convidou para recomeçar, ser CEO.
Prévia – Antes de colocar os produtos nos concessionários da marca e para fazer movimento nestes tempos pré Copa, a Nissan inicia cadastrar interessados em seu New March, produzido na recém inaugurada fábrica em Resende, RJ. Dê uma olhada: nissan.com.br/novidades
Sorrisos – Sorri, contido, o eng Paulo Bedran, um dos atuantes na área de automóveis do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mais de duas décadas de emoções no mercado, de carro 1.0, Câmara Setorial, novas montadoras, crises com a Argentina, ... Do ramo.
Razão – Também engenheiro, nortista e descendente de libaneses, Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan, anunciou R$ 500 milhões no fazer dois novos produtos: pequeno utilitário esportivo Captur e o picape Duster.
E, - O Captur teve pré lançamento como importado, quando o governo federal criou o programa Inovar Auto, barrando importações para fomentar produção local. Será o primeiro produto pós programa.
Mais – Nele, plataforma do novo Clio, permitindo imaginar a produção deste no Brasil. Há tempos o Clio, avô do atual, é feito na Argentina. O Captur é menor, porém mais cuidado e equipado, e terá preço acima do Duster. Outro mercado.
Mais - Fazer o picape seria fácil, exceto pelas diferenciações impostas: 1 tonelada de carga e tração nas 4 rodas, para diferenciar-se dos concorrentes Fiat Strada e VW Saveiro, sem estes predicados. Se bobear, versão diesel com motor argentino.
Captur, barrado na importação, fabricado no Brasil
Petrobras – Protestos, pedido de CPI específica – como deve ser -, discursos sobre a lulopetralização da Petrobras e os descaminhos da empresa que, dentre outras conquistas, levou ao buraco o FGTS dos que acreditaram em implementar a poupança, e se descobriram em grande prejuízo.
Programa – Nenhum dos discursos de candidatos à Presidência tocou num dos pontos fulcrais do negócio – a divisão da administração pública, em todos os setores, para ser gerida ou apropriada por políticos e seus procuradores próximos aos governos. Enquanto mantido o sistema da vantagem pessoal ou partidária, não há orçamento, impostos que resistam à impunidade autorizada. Nem futuro.
Por lembrar – O Mensalão apareceu por conta de um protegido do PTB colocado nos Correios. E existem muitos partidos e muitos órgãos públicos. Enquanto não for restaurada a legislação garantindo os postos aos funcionários de carreira – e vedando a partidarização da administração -, tudo continuará.
Chamada – Re calls em 238 Ford Fusion 2013, para troca do reclinador do encosto dos bancos dianteiros, chassis R104192 a R331925. Sítio do Ministério da Justiça – portal.mj.gov.br/recall.
Sem chupar – Nada de engolir combustíveis e líquidos não desejados. Empresa paulista criou a bomba Magiflux, para transferir líquidos sem chupar a mangueira, usar funil e afins. Motoristas de caminhões diesel atuais, de marcas obrigadas ao uso do Arla 32, aditivo anti poluição, gostarão mais. O Arla é de trato agressivo.
Para – Serve a tratores, máquinas pequenas, lanchas, karts, jet skies, carros de coleção. Mergulhando a mangueira pela ponta com válvula contendo esfera, e movimentos de vai e volta, o líquido se acumula até formar altura para escorrer ao outro recipiente. Daí, faz o serviço em 12 litros/minuto. Nos postos, mercados, lojas, entre R$ 30 e R$ 45. Mais? www.magiflux.com.br.

Magiflux, sem chupar
Ecologia – Módulo de farol baixo em led, criado pela Magneti Marelli foi incluído na lista de Eco Inovações da União Europeia. Para integrá-la produtos devem provar redução significativa de CO2. Comparativamente a uma lâmpada halógena, consumindo 68 watts, o módulo E-Light Marelli usa 11.
Situação – Novas regras, V6, turbo, 1,6 litro de deslocamento e gerador de energia por calor, mudou o cenário da Fórmula 1 quanto aos motores. Encerrada a 4ª. prova, os alemães tem 90% dos pontos possíveis. A Renault, pluri campeã, foi para o fim da fila.
Fonte – Conta Wagner Gonzalez em autoentusiastas.blogspot.com.br dos 404 pontos marcados, 154 foram por Rosberg e Hamilton; 287 por pilotos usando motor Mercedes. Se a fase europeia não exibir mudanças, emoção da disputa e interesse sobre a categoria diminuirão.
De volta – O complicado relacionamento entre pilotos dos EUA e a Fórmula 1 caminha para novo degrau, de esperado convívio pacífico. Gene Hass, sócio da equipe Stewart-Hass conseguiu licença de competidor na categoria junto à FIA. 2007 viu a última participação do país com Scott Speed. Carro próprio.

Maserati. O centenário do tridente

Em 1914 em Bolonha, Itália, cinco irmãos Maserati – Alfieri, Bindo, Carlo, Ettore, Ernesto e Mario - montaram oficina para construir carros de corrida. Deste é a logo do tridente, inspirado na estátua de Netuno, em praça na cidade. Logo ampliaram ações – construir, correr, administrar corridas e o negócio. Gestão não era o forte familiar e, logo após a morte de Alfieri, em 1932, venderam a empresa à Orsi, mantendo-se colaboradores, mudando-a para Modena. Deu certo, indo competir com estrelas mundiais, vitória na Targa Flório e nas 500 Milhas de Indianápolis, EUA.
No pós Guerra disputou corridas mundo afora com outras italianas, a estatal Alfa Romeo, a recém surgida Ferrari. Fez carros memoráveis como o A6GCM e o 250F vencedor da temporada evoluída à Fórmula 1, com Juan Manuel Fangio.
Viver de corridas era inviável e a empresa iniciou construir carros esportivos, como o 3500 e o 5000 sobre o mesmo chassis em alumínio, e criações com estilo como o Mistral Coupé, Spider e o Ghibli, por Vignale.
Boa em produtos, ruim em gestão, nova crise em 1968 associou-a à Citroën. Mais problemas, a PSA assumiu a francesa, descartou a italiana. Voltou a capital oficial.
Nos anos 70 assumiu-a o polêmico italo-argentino Alejandro De Tomaso, dos esportivos sob seu nome, resgatando-a. Pouco tempo. O coração freou-o e o governo italiano conduziu a Maserati à Ferrari.
Nova gestão, transferindo o eng Eugenio Alzatti da vice presidência da Fiat no Brasil para geri-la. Gente, equipamentos, espírito, o novo sedã Quattropuorte, grande e performático, colocaram-na em caminho de prestígio. Em 2005 a Fiat assumiu-a, e novo projeto acelera suas vendas, previstas em 50 mil unidades neste ano de comemorar o primeiro centenário.

Logo dos festejos do centenário
 

 

 

Roberto Nasser
edita@rnasser.com.br
 
Advogado especializado em indústria automobilística, atua em Brasília (DF) onde redige há ininterruptos 42 anos a coluna De Carro por Aí. Na Capital Federal dirige o Museu do Automóvel, dedicado à preservação da história da indústria automobilística brasileira.

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